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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Estado de Minas: Projovem é cabide de emprego do prefeito


Prefeito de Bom Despacho emprega parentes no ProJovem

Thiago Herdy - Estado de Minas

Publicação: 25/01/2010 06:31 Atualização: 25/01/2010 07:02
(Clique aqui para ler a matéria no Estado de Minas)

Parentes e amigos do prefeito de Bom Despacho, na Região Centro-Oeste de Minas, foram contratados para dar aulas no ProJovem Urbano, programa federal executado no município graças a um convênio com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). A filha, a cunhada, uma funcionária da prefeitura e até a sobrinha da sogra do prefeito Haroldo de Souza Queiróz (PDT) foram selecionadas para dar aulas de qualificação profissional, cidadania e ciências naturais pelo projeto. Moradores da cidade reclamam não ter tido a chance de participar da seleção para o emprego, sonho de nove entre 10 pessoas da cidade que trabalham com educação. O professor do ProJovem ganha salário de R$ 1,5 mil, mais que o dobro do piso de professor na cidade (R$ 680).

Em 52 municípios de Minas, a seleção dos profissionais está a cargo do Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (Cemais), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) contratada por R$ 80,6 milhões pela Sedese para executar o programa no estado. Os recursos são do governo federal. A primeira etapa da seleção dos educadores, realizada na segunda metade do ano passado, consistia no envio de currículo para o Cemais. Depois de uma pré-seleção de currículos, candidatos de Bom Despacho foram chamados para participar de uma entrevista e de uma capacitação em Belo Horizonte. Coincidentemente, uma sobrinha do prefeito, Maíra Queiróz Camilo, trabalha na Subsecretaria de Assistência Social, órgão da Sedese responsável pelo acompanhamento da gestão do ProJovem em Minas. No entanto, a subsecretária, Albanita Roberta de Lima, diz que a servidora não teve participação na seleção.

Morador de Bom Despacho, o professor Lúcio Emílio do Espirito Santo reclama não ter tido a chance de participar do programa. “Sou formado em filosofia, pós-graduado em estudos literários e faço doutorado na Unicamp. Queria colocar em prática o meu conhecimento na área de português, mas não passei nem na análise de currículo. Até agora, ninguém soube me explicar o porquê”, afirmou. O Estado de Minas ouviu mais dois relatos de pessoas da cidade que também enviaram currículos dentro dos padrões exigidos pelo programa, mas não receberam retorno. Elas pediram para não ter seus nomes veiculados, por medo de represália. A coordenadora pedagógica do ProJovem na cidade, Beatriz Araújo Campos, não nega as relações de proximidade entre selecionados e a administração municipal. Mas, mesmo sem ter participado da seleção, garante que só teriam sido chamadas pessoas com qualificação comprovada.

A filha do prefeito, Maria Isabel Carvalho de Queiróz, dá aula profissionalizante na área de saúde. A cunhada, Erilda Cláudia da Silva, formada em ciência da computação, dá aulas de telemática. A sobrinha da sogra do prefeito, Maria Aparecida Malaquias, formada em serviço social, é professora de participação cidadã. Ruth Camargo, servidora da Secretaria de Ação Social, dá aula de ciências naturais. A participação de parentes e amigos do prefeito na administração pública não é exclusividade do ProJovem. A secretária de Ação Social do município é ninguém menos que sua mulher, Maria da Conceição Queiróz.

Eleito pela primeira vez prefeito no início da década de 1990, pelo PMDB, na época em que era ligado ao grupo liderado por Newton Cardoso, Haroldo Queiróz filiou-se ao PDT em 2004 quando candidatou-se novamente prefeito da cidade com 43,8 mil habitantes, a 156 quilômetros de Belo Horizonte. Foi reeleito em 2008 e, desde então, cumpre seu terceiro mandato. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Queiróz responde a 11 processos na Justiça, inclusive por improbidade administrativa.

O vereador Fernando Cabral (PPS), que faz oposição ao prefeito na Câmara dos Vereadores, pretende levar o caso ao plenário na volta do recesso. “Ele transformou a cidade em cabide de empregos para parentes e amigos. A Lei do Nepotismo permite que sua mulher seja secretária, por se tratar de um cargo de confiança. Mas ele encontrou no ProJovem um jeito de reinstalar o nepotismo na cidade”, acusou.

O prefeito Haroldo Queiróz nega ter tido qualquer interferência na escolha dos educadores. “Poderia até ter tentado indicar, mas não o fiz. Isso é picuinha da oposição”, afirmou.

Oficial

A coordenadora nacional do ProJovem Urbano, Maria José Vieira Feres, informou na sexta-feira, por meio de nota oficial, que “não compactua com a contratação de parentes de autoridades para ocupar funções no ProJovem Urbano”, por isso verificará a denúncia junto à gestão do programa em Minas Gerais. A Coordenação Nacional do programa, que está vinculada à Secretaria-Geral da Presidência da República, promete atuar “junto às instâncias de controle para apurar os responsáveis pelo ocorrido e dar os encaminhamentos necessários”.

5 comentários:

Unknown disse...

PROCURO URGENTE UM PADRINHO POLÍTICO!
QUEM SABE AGORA, EM ANO DE ELEIÇÕES CONSIGO UM "EMPREGUINHO" DESTES?

Unknown disse...

Até que enfim!
Também enviei curriculun pra a empresa e para Srta Maíra (por e-mail).
Tenho formação em magistério e direito.
Até hoje não recebi sequer informações dos requisitos necessários ao preenchimento das vagas...
Será que existe por aí um político padrinho que possa me adotar?
É ano de eleições, quem sabe agora consigo um emprego?
Parabéns Fernando Cabral, uma vez mais.
Cristina Araújo Campos

Laurene disse...

Muito bom trabalho do repóter.

Parabéns ao Fernando Cabral por reproduzir a máteria.

Durock disse...

iuhhhúúúúú!!!!! Pega fogo,cabaré! sabia q isso ia estourar um dia! tomara q alguém olhe por n´s e o povo de Bom Despacho acorde de seu marasmo boçal e grite : Impeachment!!!!! Vamos láBD. O poder é exercido pelo povo e para o povo e não o contrário! Vamos acabar com essa ditadura torpe q nos governa!

Unknown disse...

Fernando, como a quantidade real de alunos do projovem é sempre omitida, sugiro que você visite as escolas "Dona Duca", Cel. Praxedes e João Dornas, a partir das 18:30 horas e veja "in loco" a realidade.

Cristina A Campos

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